Caboclo de Lança em Olinda. Foto: Beto Miranda (Pixabay)

Eu vivi o Carnaval de Olinda: um relato entre festa e pertencimento

Diante de tantos carnavais já vividos, fiz uma pergunta a mim na semana pós-festa: por que não tinha vivido o Carnaval de Olinda antes? Foram meses de preparação para, talvez, um dos momentos de maior entrega festiva da minha vida, depois do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.

O impacto de Olinda é um sentimento individual até você se tornar parte de uma engrenagem coletiva, diluído nos cordões que acompanham os tradicionais blocos de rua. A qualquer hora do dia, eles transformam a cidade no reduto máximo da folia em Pernambuco, essa joia do Nordeste brasileiro.

Finalmente estou! Finalmente, cheguei no Carnaval dos memes dos feriados de fevereiro.”

A estética das ruas

As ladeiras e casas centenárias dão o verdadeiro charme natural ao clima festivo do município. Tudo tem cor e significado em cada esquina, apesar do amplo investimento municipal na ornamentação. A experiência se intensifica quando você se percebe presente em um dos movimentos folclóricos mais antigos do Brasil. É um sentimento de: “finalmente estou. Finalmente, cheguei no Carnaval dos memes de feriados”.

O papel do frevo na experiência urbana

Você sabe que o seu carnaval vai ser intenso, quando o seu corpo não obedece a caminhada natural para dar lugar ao trançado das pernas com o ritmo do frevo pernambucano. Nascido no Recife, no final do século XIX, essa mistura de marcha, elementos de capoeira e maxixe é considerado pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Talvez, seja a maior expressão dessa estética fantástica no Carnaval de Olinda, porque não tem faixa etária específica para dançar nas ruas. Adoro dançar, e foi ali, já imerso na cultura Olindense que descobri meu hiperfoco em ensaiar meu retorno para o ano que vem.

Cultura popular como catarse coletiva

Mas é subindo e descendo as famosas ladeiras que o folião vai entender o verdadeiro convite à paixão pelo carnaval de Olinda. A vibração dos instrumentos da banda, o calor e o glitter impregnado no corpo fazem desse momento o ponto de partida para uma das experiências mais legais para quem gosta da folia carnavalesca. Nunca vou esquecer o arrepio que senti vendo os moradores locais emocionados em suas janelas, felizes com a chegada desse momento (a economia criativa e local circula sendo boa para todos). Os hinos e as tradicionais marchinhas ganham as ruas arrastando milhares de pessoas num uníssono grito de euforia. É uma ‘’desorganização organizada’’ de pessoas fãs do carnaval que fazem anualmente de Olinda, um dos destinos mais queridos no mês de fevereiro.

Guia sensível: como se preparar emocionalmente para viver Olinda

Primeiramente, tenha disposição e o coração aberto para ficar exausto de tanto pular carnaval. Tenha em mente que tudo depende da força física do seu corpo: cansou? Você pode procurar um lugar para descansar ou continuar essa odisseia deliciosa, numa caminhada quase interminável movida pelo amor ao maior carnaval de rua do Brasil.