LATAMBRA https://latambra.com.br Cultura, território e identidade latino-amazônica Wed, 09 Sep 2026 01:34:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://latambra.com.br/wp-content/uploads/2026/02/cropped-latambra-logo-vertical-v3-32x32.png LATAMBRA https://latambra.com.br 32 32 Feira D inicia nesta quinta-feira (20/08) com mais de 60 criativos e peças idealizadas exclusivamente para a edição https://latambra.com.br/2026/08/20/feira-d/ Thu, 20 Aug 2026 01:30:09 +0000 https://latambra.com.br/?p=3892 O evento, que tem entrada gratuita, segue até domingo (23/08), das 10h às 20h, no Ideal Clube

A nona edição da Feira D, evento que reúne arte, moda e design, inicia nesta quinta-feira (20/08), a partir das 10h, no Ideal Clube, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro esquina com a Rua Monsenhor Coutinho, bairro Centro, e segue até domingo (23/08), com entrada gratuita. Desta vez, 62 criativos de diferentes partes do Brasil se encontram no coração da Amazônia apresentando suas peças e promovendo um intercâmbio cultural.

Um dos diferenciais desta edição, é que algumas marcas criaram peças exclusivas para apresentar para o público amazonense. É o caso do Filho de Mercúrio (PE), alter ego do ilustrador e designer Eduardo Amorim, e que dá nome à marca. “Conheci Manaus em abril, durante uma edição da Feira D, e fiquei apaixonado pela cidade. Agora, preparei uma coleção de ilustrações inspiradas em tudo o que vi. A maior parte dos desenhos são relacionados a fauna com impressões manuais, feitas com serigrafia em uma técnica mista, onde incluo as linogravuras”, explica ele.

Eduardo adianta que serão peças numa quantidade limitada incluindo os bois de Parintins – Caprichoso e Garantido – e uma colaboração com a marca local de roupa Pacovã. “Criei duas ilustrações de casais de araras azuis e vermelhas que estão em um ‘dengo’, uma coisa mais afetiva. Então, o público pode esperar uma coleção pequena e exclusiva, pensada especificamente para Manaus. Não é uma adaptação de um trabalho anterior, é algo nascido do meu primeiro contato com a cidade”, salienta. 

Memórias

Oriundo do município de Benjamin Constant, na região do Vale do Javari, mas residindo em Bauru, o designer gráfico e ceramista Jansseem Cardoso, responsável pela Javari (SP), apresentará uma coleção também inspirada na fauna e na sua vivência na região. Longe do Amazonas desde 2011, suas criações partem de um resgate de sua memória afetiva. “Trabalho muito com máscaras indígenas e latino-americanas. Também estou levando moringas de onça, macaco e os bois de Parintins. As pessoas podem esperar se olharem nas peças, se reconhecerem de alguma forma. Estou muito ansioso para ver a reação de todos”, comenta.

Já a designer Bruna Arsati, da Greta Ateliê (SC), reforça que trará para a cidade peças que já fazem parte do catálogo da marca desde a primeira vez que esteve em Manaus e se apaixonou. “Então vamos levar peças em formato de vitória-régia – tanto brinco quanto broche – além do pirarucu e da arraia de parede que já viraram clássicos, mas também fizemos especialmente para Manaus”, explica ela, lembrando que contará, ainda, com peças comemorativas de Parintins, como colares com pedras azuis e vermelhas para representar Caprichoso e Garantido, respectivamente. “Isso sem falar das criações de primavera com flores divertidas e coloridas”. 

A Pakatatu (RJ), de Gustavo Coelho, apresentará peças de decoração com novas técnicas de pintura e acabamentos que ainda não tinham sido experimentados. “Estamos muito felizes com o resultado e com tudo que estamos descobrindo nesse processo. Fizemos uma pesquisa sobre a fauna e a flora da Amazônia e, a partir dela, criamos nossas próprias interpretações, trazendo aquele nosso olhar mais lúdico e cheio de detalhes. O público pode esperar uma coleção que é, acima de tudo, uma homenagem à cultura, com muita brasilidade e um resgate das memórias e histórias que fazem parte da gente”, finaliza ele.

A Feira D também contará com criativos do Acre, Alagoas, Pará, Minas Gerais, Ceará e Amazonas. Entre eles: Euevoco, Sagrado Barro, Foz, Brilho da Mata, Naisha Cardoso, Carlos Penna, Associação Ceará Design (com 12 criativos), Oco Clube, Casa Decorare, Mangarataia, Sapopema, Âmbar Prata, Arta, Studio Arthur Teixeira, Atelier 1970, Atelier Ketelengo, Bordados Mensageiros, Céu, Estúdio 092, Fio a Fio Macramê, Flor Silva, Ga.ha, Granular, Kevas, Libbu, Natisserie, Ori, Pacovã, Que Style, Relaxamente, Siouduhi, Tropicália, Tupana, Wald, Lorrine Almeida Confeitaria, Javari, Casa Di Eva, Estúdio Cerrado, Estúdio Libero, Ale Design, All Kind, Lauz, Olaria, Vitalina, Alex Torres, Ateliê Mínima, Fabrico de Ideias, Tatxoz, Zsolt, Agnes Company, Camila Romero, De Araque, DZT, Sacola Tropical, Silene Iolê, Tela, Zeus Achetti.

Com informações e fotos da assessoria.

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Na floresta, no quintal e na memória: como a Nawê transforma sabores amazônicos em sorvetes artesanais https://latambra.com.br/2026/08/13/na-floresta-no-quintal-e-na-memoria-como-a-nawe-transforma-sabores-amazonicos-em-sorvetes-artesanais/ Thu, 13 Aug 2026 21:37:04 +0000 https://latambra.com.br/?p=3846 Da fruta colhida nos quintais de Manaus ao chocolate de cacau nativo, sorveteria aposta na sociobiodiversidade, agricultura familiar e criatividade para valorizar ingredientes amazônicos em cada receita.

Um sorvete pode contar histórias e, também, pode preservar memórias da infância, fortalecer comunidades rurais, incentivar a agricultura familiar e apresentar novos sabores a quem acredita que sorveteria se resume a sabores cada vez mais industrializados e sem a afetividade.

Nina Best – CEO da Nawê Sorvetes Artesanais, na Bioeconomy Amazon Summit 2026 Belém (PA).

Foi justamente pensando em resgatar essa proposta mais sensível dos amazônicos que a Nawê Sorvetes Artesanais, de Manaus, construiu sua identidade a partir da biodiversidade amazônica e dos ingredientes produzidos na região.

“Vendemos sorvete artesanal de qualidade. Mas, desde o início, a maior preocupação foi trabalhar com ingredientes da sociobiodiversidade e da agricultura familiar”, explica a fundadora da Nawê, Nina Best. 

Para a empreendedora, o mote principal é trabalhar com frutos dos quintais de Manaus, como a carambola, cupuaçu, graviola, jambo, manga, sendo frutas que já fazem parte da paisagem urbana amazônica.

Segundo ela, utilizar essas frutas é também uma forma de reconhecer um patrimônio invisível da capital amazonense. “Manaus é uma das cidades menos arborizadas do Brasil. Valorizar essas árvores frutíferas é uma forma de reconhecer esse território”, frisou.

O sabor da fruta em primeiro lugar

Para a Nawê, o protagonista não é o leite nem o creme. É a fruta! Por isso, boa parte do cardápio é composta pelos chamados sorbets, sorvetes à base de água que preservam melhor o sabor natural dos ingredientes. “Sinto muita falta de sorvetes de fruta mesmo. Então, uma das prioridades da Nawê tem sido produzir sorbets, que dão ênfase ao gosto da fruta, como se você estivesse comendo a fruta geladinha’’, destaca Nina.

Para ela, reduzir o excesso de gordura láctea permite que os sabores apareçam com mais intensidade. “Menos creme, menos gordura láctea, que às vezes camufla um pouco esses sabores. A proposta era trazer de volta alguns sabores que fazem parte da nossa infância manauara. Um bom creme de cupuaçu, um bom sorvete de amendoim, valorizando os processos artesanais”, relembra.

Produção artesanal do começo ao fim

Na cozinha da Nawê, praticamente tudo é produzido internamente. As frutas são processadas, assim como geleias, caramelos e caldas. A marca reconhece que o sorvete, em sua essência, é um alimento ultraprocessado. Justamente por isso, busca reduzir essa característica ao máximo.

Um sorvete amazônico até quando é cheesecake

Apesar de priorizar ingredientes locais, a Nawê também brinca com referências internacionais. A ideia é adaptar receitas conhecidas ao universo amazônico. “O sorvete não é daqui. Então fazemos uma apropriação cultural, transferindo para o sorvete os nossos sabores. “É o caso do cheesecake de cupuaçu. Misturamos geleia de cupuaçu, puxuri, cumaru e castanha. É isso que dá a essência amazônica dentro de um sorvete de cheesecake”, revela a dona da Nawe.

Esqueça o pistache. Experimente castanha!

Um dos desafios enfrentados pela sorveteria é convencer o consumidor a experimentar ingredientes regionais no lugar de sabores tradicionais.

Para Nina, falta comunicação sobre o potencial dos ingredientes amazônicos. “Temos ingredientes maravilhosos, mas ainda não sabemos executá-los e apresentá-los. Um bom produto com uma boa comunicação consegue romper essas barreiras”, conta.

“Sempre que me solicitam um sorvete de morango, eu ofereço alguma fruta regional. Quando solicitam pistache, ofereço castanha. Então, não faz sentido utilizar um morango que viajou milhares de quilômetros e perdeu qualidade. Prefiro trabalhar aquilo que o território oferece”, defende.

Chocolate amazônico, não belga

Até mesmo o chocolate utilizado nas receitas segue a mesma filosofia. A Nawê utiliza cacau amazônico produzido pela Na’kau-Chocolate Amazônico, iniciativa que trabalha com produtores de cacau nativo e comunidades da floresta.

De acordo com a CEO da Nawê, a escolha vai além da qualidade gastronômica. “Hoje utilizamos chocolate amazônico de verdade. Não é chocolate belga. A proposta principal é valorizar o que é nosso”, enfatiza.

Outro pilar da sorveteria é a compra direta de produtores da agricultura familiar. Além das frutas mais conhecidas, entram em cena ingredientes pouco explorados comercialmente.

Entre eles estão cubiu, mangarataia, banana pacovã, taperebá, maracujá e diversas plantas alimentícias não convencionais (PANCs). “São frutos que fazem parte desse cinturão verde que alimenta Manaus. Assim, fortalecemos também os agricultores envolvidos”, completa.

Nawê Sorvetes

Horários de atendimento: Quarta a sexta – 10h30 às 17h30 | Sábado – 10h às 16h30
Instagram: @nawesorvetes

WhatsApp: Quintal da Nawê e pedidos

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Teatros da Amazônia entram para a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO https://latambra.com.br/2026/07/27/teatros-da-amazonia-entram-para-a-lista-do-patrimonio-mundial-da-unesco/ Mon, 27 Jul 2026 17:32:58 +0000 https://latambra.com.br/?p=3841 Reconhecimento destaca o valor histórico, arquitetônico e cultural do Teatro Amazonas e do Theatro da Paz, agora oficialmente inscritos entre os patrimônios mundiais da humanidade.

BRASÍLIA – O Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA), foram reconhecidos como patrimônio cultural do mundo. Os dois teatros, que são tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde os anos 1960, agora integram a Lista do Patrimônio Mundial Cultural da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

A proposta de reconhecimento – formalizada pelo Iphan em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, com colaboração das Secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará – se baseou numa candidatura conjunta dos dois teatros, aprovada na madrugada desta segunda-feira (27) pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, na Coreia do Sul. Com a aprovação, os dois passam a figurar juntos na lista da Unesco, sob a designação “Teatros da Amazônia”, ao lado de outros sítios brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial Cultural. É o caso do Plano Piloto de Brasília, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e os centros históricos de Olinda e Salvador.

História compartilhada

Símbolos do boom econômico gerado pela extração da borracha no Norte do Brasil, no século XIX, o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus, foram inaugurados em 1878 e 1896, respectivamente.

Ambos representavam um mesmo projeto de modernização urbana e a inserção da região amazônica, por meio de seus rios, em circuitos comerciais e culturais globais. Foram duas das primeiras grandes casas de ópera das Américas, passando a atrair companhias europeias para temporadas casadas entre as duas cidades. Arquitetônica e artisticamente, mesclavam influências e materiais importados com madeiras e motivos da floresta, resultando numa estética original, ao mesmo tempo cosmopolita e amazônica. Idealizados por uma elite seduzida pelos ideais da Belle Époque e erguidos por trabalhadores locais, ao longo do tempo os teatros transcenderam o propósito de seus fundadores. Além dos espetáculos de ópera, conquistaram espaço as manifestações de culturas populares brasileiras e atividades que hoje atravessam diversas expressões artísticas, do carimbó ao jazz, do boi-bumbá ao cinema, impulsionando a formação de artistas e técnicos e a atividade turística. São marcos cívicos e culturais das duas cidades, juntamente com as praças em seu entorno – a Praça da República, em Belém, e o Largo de São Sebastião, em Manaus. Agora, tornam-se oficialmente o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.

Com a inscrição dos Teatros da Amazônia, o Brasil passa a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, dos quais 16 são culturais, nove são naturais e um é sítio misto.

Confira a lista completa de bens brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial, por data de inscrição na Lista da Unesco:

Bens culturais:

1980: Cidade Histórica de Ouro Preto

1982: Centro Histórico de Olinda *

1983: Ruínas de São Miguel das Missões

1985: Centro Histórico de Salvador

1985: Santuário do Bom Jesus do Congonhas

1987: Brasília

1991: Parque Nacional Serra da Capivara

1997: Centro Histórico de São Luís

1999: Centro Histórico de Diamantina

2001: Centro Histórico da Cidade de Goiás

2010: Praça de São Francisco na Cidade de São Cristóvão

2012: Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar

2016: Conjunto Moderno da Pampulha

2017: Sítio Arqueológico do Cais de Valongo

2021: Sítio Roberto Burle Marx

2026: Teatros da Amazônia

Bens naturais:

1986: Parque Nacional do Iguaçu

1999: Reservas da Mata Atlântica do Sudeste

1999: Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta

2000: Área de Conservação do Pantanal

2000: Complexo de Conservação da Amazônia Central

2001: Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas

2001: Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas

2024: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

2025: Cânion do Rio Peruaçu

Bens mistos:

2025: Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade

Com informações da Agência Brasil

Foto: reprodução internet

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Araras na Calçada: o happy hour que transformou uma rua de Manaus em ponto de encontro https://latambra.com.br/2026/07/23/araras-na-calcada-o-happy-hour-que-transformou-uma-rua-de-manaus-em-ponto-de-encontro/ Thu, 23 Jul 2026 20:23:01 +0000 https://latambra.com.br/?p=3794 Chope artesanal, música e pequenos negócios se encontram todas as quintas-feiras em uma calçada no bairro Petrópolis.

Às cinco da tarde, a rua Bem-Te-Vi, no bairro Petrópolis, em Manaus, ainda guarda o ritmo comum de um fim de expediente. Pouco depois das 19h, o cenário muda completamente. Cadeiras de praia ocupam a calçada, tonéis servem de mesa, copos brindam entre desconhecidos e um cavaquinho embala conversas que logo deixam de ser entre estranhos.O encontro acontece todas as quintas-feiras e já ganhou nome próprio: Araras na Calçada.

O que começou como uma alternativa para vender chope artesanal transformou-se em um espaço de circulação cultural, fortalecimento de pequenos empreendedores e construção de comunidade em plena Zona Centro-Sul da capital amazonense.

Do fim ao recomeço

A história do Araras começou em 2024, quando o encerramento das atividades da cervejaria onde Aluísio Santos e Crislainy Alves trabalhavam abriu espaço para um novo projeto. Amigos e colegas de trabalho, os dois decidiram transformar a experiência que já tinham no setor em um negócio próprio.

“Olhamos um para o outro e nos perguntamos: por que não criar uma cervejaria com a nossa personalidade, do nosso jeito? A resposta foi simples e assim nasceu a Cervejaria Araras”, relembra Crislainy.

A primeira produção saiu em novembro daquele ano e passou a ser vendida em uma feira de produtos orgânicos. A experiência, porém, durou pouco. Com a mudança do evento para um espaço federal, a comercialização de bebidas alcoólicas deixou de ser permitida.

Da incerteza ao encontro

Sem um ponto de venda, os empreendedores precisaram reinventar o negócio. O antigo sonho de servir chope em uma Kombi parecia cada vez mais distante, até que amigos ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI) sugeriram ocupar a calçada em frente ao órgão nas noites de quinta-feira.A ideia parecia arriscada.

“Foi a primeira vez que estaríamos sozinhos, sem o apoio da feira e sem saber se as pessoas apareceriam. Mas fomos na cara e na coragem”, revelou a empreendedora.

Aluísio Santos e Crislainy Alves (foto: divulgação)
Aluísio Santos e Crislainy Alves | idealizadores do Araras na Calçada. (foto: divulgação)

Foi na terceira edição que o encontro ganhou nome. Ao chegar ao local, uma amiga perguntou: “Hoje vai ter Araras na Calçada?”. A pergunta, feita de forma espontânea, acabou batizando oficialmente o projeto.

Muito além da cerveja

A cada quinta-feira surgiam pequenas melhorias. Vieram as cadeiras de praia, a iluminação com varais de luzes e um ambiente pensado para que as pessoas permanecessem mais tempo conversando.

“O boca a boca fez o restante. Motoristas reduziam a velocidade para descobrir o que movimentava uma rua normalmente tranquila. Encontravam uma Kombi servindo chope artesanal, música ao vivo e um ambiente onde a conversa ainda acontecia olho no olho.

Foi quando os próprios fundadores perceberam que o empreendimento havia ultrapassado a lógica comercial. “Hoje entendemos que o Araras na Calçada não é apenas sobre cerveja. A cerveja foi o motivo inicial. As pessoas são o que realmente transformaram aquele pedaço de calçada em algo tão especial”, afirma Aluísio.

Segundo ele, quem chega sozinho dificilmente vai embora da mesma forma. Entre uma mesa improvisada e outra, já nasceram amizades, parcerias profissionais, comemorações acadêmicas, aniversários e novos projetos.

A bióloga Rafaela Gurgel, frequentadora do evento, também percebeu essa mudança na dinâmica do instituto. “O instituto tem poucos eventos para aproximar as pessoas. São três prédios e o Araras é uma ótima oportunidade para juntar não só as pessoas do instituto, mas também os amigos que vêm de fora.”

Para Rafaela, o encontro também acabou se tornando uma porta de entrada para quem passa pela região e não conhece o instituto.

“As pessoas acabam parando, ficando e conhecendo até mesmo o próprio INPA. O evento chama atenção e faz as pessoas perceberem que ali existe um espaço de convivência.”

A calçada como palco

A música ao vivo é outro elemento que compõe a experiência do Araras na Calçada. Nas noites de quinta-feira, apresentações dividem espaço com o chope artesanal e as conversas, ajudando a transformar uma reunião entre amigos em um encontro que reúne diferentes públicos.

O engenheiro de software Wanderson Mendes conheceu o evento a convite de uma amiga e se surpreendeu com a maneira como uma simples calçada pode assumir, por algumas horas, outras funções. “Hoje, já não percebo onde termina a calçada e começa o palco. Ou seria o inverso?”, brincou.

A imagem resume a transformação daquele trecho da rua Bem-Te-Vi. O espaço que durante o dia serve à circulação de moradores ganha, à noite, cadeiras, música, bebidas e encontros. Para Wanderson, o resultado é uma experiência marcada pela descontração e pelas conexões que surgem de maneira espontânea.

Uma nova ocupação da cidade

O Araras na Calçada também revela uma nova maneira de ocupar a cidade. Em vez de depender de uma estrutura comercial tradicional, o empreendimento transformou uma calçada em ponto de encontro e, ao redor dela, passou a reunir música, consumo e outros pequenos empreendedores.

A rua, que durante o dia serve à circulação de moradores, ganha à noite cadeiras, música, bebidas e encontros. Por algumas horas, a fronteira entre o espaço de passagem e o espaço de convivência parece desaparecer.

Quando a última música termina e as cadeiras começam a ser recolhidas, sobra pouco da estrutura que ocupou a rua. Na quinta-feira seguinte, porém, o cenário volta a se repetir. Entre um copo de chope, uma roda de samba e novas conversas, a calçada ganha novamente outro significado.

Nas quintas-feiras, o happy hour tem lugar certo. E nome também: Araras na Calçada.

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Ana Lígia Pimentel lança documentário ’Parintins – 72 horas’ durante o festival folclórico 2026 https://latambra.com.br/2026/06/18/ana-ligia-pimentel-lanca-documentario-parintins-72-horas-durante-o-festival-folclorico-2026/ Thu, 18 Jun 2026 14:47:59 +0000 https://latambra.com.br/?p=3781 A produção, gravada em 2025, será exibida em diversos pontos da Ilha Tupinambarana, incluindo o Bumbódromo

Uma homenagem aos torcedores de Caprichoso e Garantido. É assim que a cineasta Ana Lígia Pimentel – que concorreu no Festival de Gramado, em 2025, com ‘Os Avós’ – descreve o documentário ‘Parintins – 72 horas’, que terá sua estreia durante o Festival de Parintins, mais precisamente no Bumbódromo, na próxima sexta-feira (26/06), a partir das 15h, quando as galeras dos bois irão entrar no palco de uma das maiores manifestações culturais do Brasil.

Com uma hora de duração, o filme foi todo gravado durante o festival de 2025, com direção de fotografia de Ana Rezende, mas surgiu de uma inquietação da cineasta que, em 2022, enfrentou a fila da galera do Garantido para assistir as apresentações. “Foi minha primeira vez em Parintins, e fiquei impressionada como as pessoas ficam dias ali, debaixo de um toldinho, crianças, idosos, comendo tambaqui e quentinha, e ninguém nem aí, tudo certo. Isso mexeu muito, à época, com meu lado de artista, de cineasta e enquanto ser humano pensante”, explica Ana Lígia.

A partir daí, o desejo ficou ‘adormecido’ em decorrência de outros projetos, ganhando vida, de fato, no ano passado. “Em 2025, pouco antes do festival, resolvi escrever um argumento e apresentar à Secretaria de Cultura. Não achei que fosse dar certo, pois estava muito em cima e não haveria verba. Ana Rezende, minha diretora de fotografia, disse que viria ao Amazonas novamente gravar comigo, se fosse Parintins. Conversei com a secretaria que, prontamente, se identificou com o projeto e viabilizou a produção com pequena verba e ajuda de custo. A equipe literalmente é de duas pessoas”, conta ela.

Ainda segundo Ana Lígia, “inúmeras manifestações culturais acontecem ao redor do mundo, normal”, mas com a intensidade de Parintins, não existe. “Essa rivalidade é única. Uma das personagens, por exemplo, que é torcedora do Caprichoso, não compra tomate pra casa dela porque é vermelho. Isso não tem em outras culturas populares. Isso que me chamou a atenção e por isso fiz o filme”, salienta a cineasta.

Além da exibição no Bumbódromo, os interessados podem assistir a produção também na sexta-feira, na Estação da Cultura, na Praça da Catedral, às 16h, com 60 lugares, e o trailer oficial será exibido no Bumbódromo, às 19h, antes das apresentações dos bois. “É uma homenagem às galeras, mostrando essa ‘saga’ que é ir para Parintins, com pessoas que se endividam, que deixam suas famílias para realizarem o desejo de assistirem seus bois. O foco não são os itens, nem os bois em si, mas àquelas pessoas que fomentam essa paixão, que muito se compara ao futebol, se formos escalonar. É essa peculiaridade cultural em torno do seu condicionamento quando se é fã˜, finaliza Ana Lígia.

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Caê Boteco & Cozinha chega ao Centro de Manaus resgatando a história e sendo um espaço democrático https://latambra.com.br/2026/06/11/cae-boteco-cozinha-chega-ao-centro-de-manaus-resgatando-a-historia-e-sendo-um-espaco-democratico/ Thu, 11 Jun 2026 20:56:27 +0000 https://latambra.com.br/?p=3769 Com um cardápio brasileiríssimo e drinques que contam com tecnologia inovadora, o espaço funcionará de segunda-feira a domingo, sempre a partir das 17h.

Manaus – Afeto, cultura e identidade brasileira. Esse tripé, extremamente forte, diga-se de passagem, é que servirá de base para o Caê Boteco & Cozinha, que passa a funcionar nesta quarta-feira (03/06), a partir das 17h, no cruzamento das ruas Costa Azevedo com a 24 de Maio, coração boêmio e pulsante do Centro de Manaus.

Criado por Walter Cohen e Wilson Aires, frequentadores assíduos do Centro, o Caê nasceu do desejo de resgatar o espírito dos botecos clássicos: unindo simplicidade, acolhimento e muitas histórias, mas com ‘pitadas’ de uma curadoria que perpassa pela música, por drinques e um cardápio de dar ‘água na boca’.

“O Caê é, antes de tudo, um lugar de encontro. E o Centro de Manaus tem uma alma boa para encontros. É um território pulsante, histórico e cheio de camadas culturais. Então, estar presente nesse ambiente é um gesto consciente de ocupar, valorizar e fazer parte desse movimento de retomada da região, trazendo vida para um lugar que sempre foi o coração da cidade”, comenta Walter Cohen.

História

De acordo com o levantamento realizado pela dupla de empresários, o prédio que abriga o Caê começou a ser construído no final Século 19 e finalizou no início do Século 20, portanto, colocado em pleno funcionamento entre 1910 e 1920, trazendo consigo parte significativa da história da cidade.

“A edificação carrega elementos que dialogam com diferentes períodos da história urbana de Manaus. Ao longo dos anos, passou por diferentes usos e transformações, e agora entra em um novo capítulo, ressignificado e pronto para viver uma nova fase como ponto de encontro boêmio e cultural”, ressalta Wilson Aires.

E por estar presente no Centro, nada melhor do que ser um local contemporâneo, descomplicado, democrático e com uma identidade forte. É um lugar para chegar sem cerimônias, comer bem, beber melhor ainda, ouvir boa música e se sentir parte do todo.

Sabores

A carta de bebidas, sem dúvidas, é um capítulo à parte. Isso porque a dupla prezou com drinques autorais e releituras bem executadas dos clássicos, sempre com insumos frescos e com identidade. Um dos diferenciais, por exemplo, será a utilização do sistema Preshh, tecnologia que permite servir a bebida sob pressão, mantendo o frescor, carbonatação e padronização.

“O Caê será o primeiro espaço em Manaus a operar com esse equipamento, reforçando nossa proposta de unir tradição e inovação na experiência do cliente. Esse processo garante mais agilidade no atendimento sem abrir mão da qualidade de um drinque bem feito”, adianta Wilson.

Além disso, a cozinha irá valorizar ingredientes brasileiros, mas sempre com um toque regional, especialmente amazônico. “Apresentaremos releituras de clássicos do boteco, mas também contaremos com receitas das nossas famílias. A ideia é que o cardápio misture novidade com conforto, surpreendendo, mas sem perder a essência”, destaca Walter.

E como se tudo isso não fosse o bastante, a dupla também pensou nos mínimos detalhes da decoração. O local é 100% inspirado na cultura brasileira, especialmente na música, na estética e no comportamento. Há referências sutis a movimentos culturais, à poesia e à atmosfera dos botecos clássicos, tudo reinterpretado de forma contemporânea.

O funcionamento será de segunda a domingo, sempre a partir das 17h, servindo tanto para um fim de tarde, quanto para uma saideira. “Além disso, aos sábados, a casa irá servir feijoada ao som de chorinho da melhor qualidade, a partir do meio-dia, propondo com isso um programa que inclua comida boa, bebida gelada e clima de encontro”, finaliza Wilson Aires.

Transmissões da Copa do Mundo

O primeiro jogo da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo 2026, acontecerá neste sábado (13/06), a partir das 18h (horário de Manaus). O espaço contará com três telas de exibição, além de atração musical nos intervalos. “Estamos preparados para receber todos aqueles que tenham vontade de torcer pelo Brasil junto com a gente. Tem área climatizada, área externa, banheiros equipados, um cardápio variado e muito mais. Reúna os amigos, traga a família, e venha curtir o Caê”, finaliza Walter.

Com informações e fotos da assessoria

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MASP APRESENTA PAVILHÃO DE SOL CALERO NO VÃO LIVRE https://latambra.com.br/2026/06/10/masp-apresenta-pavilhao-de-sol-calero-no-vao-livre/ Wed, 10 Jun 2026 20:02:00 +0000 https://latambra.com.br/?p=3762 Instalação Casa María Lionza, primeira obra da artista venezuelana apresentada no Brasil,
foi criada especialmente para o espaço sob o edifício de Lina Bo Bardi.

O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand abre ao público, em 3 de
julho, Casa María Lionza, a primeira obra da artista Sol Calero (Caracas, Venezuela, 1982)
a ser apresentada no Brasil. Criada especialmente para ocupar o Vão Livre, a instalação
convida o público a adentrar uma pequena vila colorida, onde fachadas, bancos, janelas e
portas compõem um espaço de acolhimento e encontro. A superfície arquitetônica —
murais, mosaicos e mobiliário — se torna uma tela para a pintura da artista venezuelana.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora
assistente, MASP, o pavilhão de Sol Calero também se propõe a ser um espaço dinâmico e
integrante da programação cultural do Vão Livre. A primeira vez que a construção receberá
uma atividade será no sábado, 5 de julho, quando a artista conduzirá uma oficina gratuita
para a criação de mosaicos que integrarão a fachada externa da obra.

Calero desenvolve trabalhos que combinam elementos da arquitetura vernacular com uma
visualidade vibrante, refletindo sobre temas como identidade, pertencimento e processos
de exotização da cultura latino-americana. A arquitetura de Lina Bo Bardi (1914-1992),
responsável pelo projeto do MASP, foi uma das inspirações para a instalação concebida
por Sol Calero para o Vão Livre. Elementos como a planta circular da Igreja do Espírito
Santo do Cerrado, em Uberlândia, e os recortes de janelas de formas orgânicas do Sesc
Pompeia, em São Paulo, ambos projetos de Lina, aparecem na Casa María Lionza, criando
um diálogo com a história do edifício que abriga a instalação. Também são referências as
fotografias de fachadas da artista Anna Mariani (1935-2022), que exploram a relação entre
geometria, cor e o construtivo na paisagem urbana.


A artista concebe seus pavilhões como pinturas tridimensionais, espaços acolhedores
inspirados na atmosfera de ambientes domésticos tradicionalmente geridos por mulheres.
Os títulos de suas construções muitas vezes remetem a figuras femininas emblemáticas
celebradas em canções de salsa. A construção para o Vão Livre dá continuidade a essa
tradição, já que María Lionza é uma divindade da espiritualidade venezuelana, que traz o
sincretismo entre crenças católicas, indígenas e africanas. Associada à natureza e à
criação, María Lionza inspirou também a música popular: Willie Colón e Rubén Blades
dedicaram uma canção à sua figura.


“Sol Calero reflete sobre o imaginário de latinidade, misturando elementos de diversas
culturas e associando referências estéticas. Seu trabalho não é apenas para ser visto, não é
um espaço apartado do mundo: sua obra ganha sentido como um local de encontro e
convivência”, afirma Laura Cosendey.
Sol Calero: Casa María Lionza integra a programação anual do MASP dedicada às
Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Santiago
Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo
Acciones de Arte, Damián Ortega, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich,
Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.


SOBRE A ARTISTA
Sol Calero nasceu em 1982, em Caracas, Venezuela, e vive em Berlim. Sua prática articula
pintura, instalações e projetos para espaços públicos, nos quais investiga noções de
identidade e processos de exotização cultural. Calero vem consolidando uma trajetória
internacional, com projetos em instituições e bienais na Europa e em outros continentes.
Apresentou o Pabellón Criollo, na 60a Bienal de Veneza (2024), propondo um espaço
alternativo de encontro no Giardini della Biennale. A instalação foi nomeada a partir de um
prato típico venezuelano que combina ingredientes de culturas indígenas, africanas e
europeias.
REALIZAÇÃO
Sol Calero: Casa María Lionza é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e
tem apoio da AkzoNobel.

SERVIÇO
Sol Calero: Casa María Lionza
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora
assistente, MASP
Vão Livre, Edifício Lina Bo Bardi
A partir de 3.7.2026
Diariamente das 10h às 22h
Entrada gratuita
Oficina com Sol Calero
Data: 5 de julho de 2026 (domingo), das 10h às 12h
Inscrições disponíveis em breve no site do MASP
Local: Vão Livre, Edifício Lina Bo Bardi


MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e
domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.


Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

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Exposição ‘Infância Tukano’ apresenta memórias e ancestralidade indígena na Galeria do Largo https://latambra.com.br/2026/06/04/exposicao-infancia-tukano-apresenta-memorias-e-ancestralidade-indigena-na-galeria-do-largo/ Thu, 04 Jun 2026 23:33:30 +0000 https://latambra.com.br/?p=3752 Mostra do artista Yúpury reúne dez pinturas inspiradas em lembranças da infância vivida no Alto Rio Negro.

A Galeria do Largo recebeu, na noite de quarta-feira (03/06), a abertura da exposição “Infância Tukano”, do artista indígena Yúpury. A mostra reúne dez pinturas em acrílico que retratam memórias da infância do artista na região do Balaio, em São Gabriel da Cachoeira (distante 852 quilômetros de Manaus) e apresenta ao público cenas ligadas ao cotidiano, à família e à cultura do povo Tukano.

A exposição segue aberta para visitação até agosto na Galeria do Largo, de quarta-feira a domingo, das 15h às 20h, e integra a programação da Galeria do Largo, espaço administrado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, e convida os visitantes a conhecerem narrativas construídas a partir das lembranças afetivas do artista com seus avós e familiares no Alto Rio Negro.

Nas obras, Yúpury retrata paisagens amazônicas, momentos de convivência comunitária, atividades de pesca, deslocamentos pelos rios e brincadeiras vividas durante a infância. As pinturas também evidenciam a relação entre os moradores da região e os saberes transmitidos entre gerações.

Para o artista, a exposição representa a oportunidade de compartilhar experiências que permanecem vivas em sua memória. “Esses trabalhos mostram um pouco do cotidiano que vivi no Balaio, em São Gabriel da Cachoeira. Retrato as canoas, a pesca, a forma como as famílias se organizavam e as brincadeiras das crianças. É um pouco da minha vivência que estou mostrando nessas pinturas”, afirmou Yúpury.

A exposição foi desenvolvida com curadoria do artista e servidor da Secretaria de Cultura, Cristóvão Coutinho, em parceria com Carlysson Sena, da Manaus Amazônia Galeria de Arte. O conjunto das obras foi construído a partir de recordações da única viagem que Yúpury realizou, ainda criança, para visitar os avós na região de origem de sua família, experiência que marcou sua relação com a ancestralidade Tukano.

Segundo Carlysson Sena, o trabalho apresentado revela um processo artístico construído a partir da própria trajetória do artista. “Ele já vinha desenvolvendo essa pesquisa sobre as lembranças da infância no Alto Rio Negro. Quando acompanhamos a produção das obras, percebemos que existia uma narrativa muito forte sendo construída a partir dessas memórias e da relação dele com o território e com a própria história”, destacou.

Ao transformar experiências pessoais em pintura, Yúpury apresenta ao público um registro visual marcado por elementos da cultura indígena amazônica, reforçando a importância da memória, do pertencimento e da valorização das identidades originárias. A mostra também amplia o diálogo sobre a presença de artistas indígenas nos espaços de arte contemporânea da capital.

Com informações da assessoria

FOTOS: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultuda e Economia Criativa

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Kwati Club combina ”descanso” com diversão sob medida às margens do Lago Macurany, em Parintins https://latambra.com.br/2026/06/02/kwati-club-combina-descanso-com-diversao-sob-medida-as-margens-do-lago-macurany-em-parintins/ Tue, 02 Jun 2026 19:03:24 +0000 https://latambra.com.br/?p=3737 Durante quatro dias, o público que estiver na Ilha da Magia poderá desfrutar de música, gastronomia e conforto em perfeita harmonia

Com uma proposta diferente do que vem apresentando desde sua estreia, em 2018, o Kwati Club abre suas portas, em 2026, dando espaço ao ‘descanso’, mas em perfeita harmonia com a diversão sob medida, reunindo gastronomia, música e uma infraestrutura especial. Entre os dias 25 e 28 de junho, das 11h às 19h, no espaço localizado às margens do Lago Macurany, no bairro Santa Rita, em Parintins, o público poderá desfrutar das belezas naturais que o local oferece no melhor estilo day use, adquirindo lounges para duas e quatro pessoas ou bangalôs para até 15 pessoas.

De acordo com Egreen Baranda, uma das organizadoras do evento, o Kwati precisava passar por essa reformulação levando em consideração uma tendência mundial que é a junção da diversão, mas aliada a uma estrutura que também proporcione tranquilidade. “Hoje, muito se fala do universo wellness, né, e nós entendemos que esse movimento também se tornou uma realidade para nós. Curtir as três noites do Bumbódromo exige muita energia, e nada melhor do que repor essa energia, ouvindo uma música boa, comendo pratos saborosos, tomando aquele drinque geladinho e com muito conforto”, detalha ela.

Por isso, uma das novidades deste ano, por exemplo, é a reativação da piscina, que servirá para relaxar e apreciar o pôr do sol deslumbrante. Outro destaque são os espaços reservados divididos em duas categorias: lounge para duas ou quatro pessoas e o bangalô para até 15 pessoas. O Lounge Deck, que abriga quatro pessoas, conta com mesa de apoio, sofá, puffs e guarda-sol, além de 40% do valor investido revertido em consumação.

Já o Lounge Piscina, que abriga duas pessoas, conta com atendimento personalizado e localização estratégica, além dos 40% do valor investido revertido em consumação. E o Bangalô, que pode abrigar até 15 pessoas, conta com piscina privativa, área de descanso, serviço diferenciado e com 40% do valor investido revertido em consumação.

“É bom salientar que todos esses espaços podem ser comprados por dia ou então para todos os dias de Kwati Club, mas dependendo da necessidade de cada grupo, é muito melhor adquirir os pacotes para os quatro dias, pois a economia é maior do que comprar separadamente”, comenta Egreen, lembrando ainda que o Day Use também pode ser adquirido por dia ou em pacote, mas não conta com consumação como os demais espaços reservados.

Entre as atrações já anunciadas para a temporada 2026 do Kwati Club estão: Cateto da Toada (dia 25), Normandinho e Kboclos (dia 26), Pontifexx e Uendel Pinheiro (dia 27), e Cat Dealers e Aya da Amazônia (dia 28). “E para quem chegar antes na Ilha da Magia, o Kwati também terá uma área especial para conferir os jogos da Copa do Mundo que irão acontecer nos dias 13, 19 e 26 de junho”, finaliza Egreen Baranda.

Mais informações podem ser obtidas via Instagram (@kwaticlub) ou no WhatsApp (92) 99331-6007.

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Casarão de Ideias e Iphan resgatam a tradição das tacacazeiras, às quintas, no Centro de Manaus https://latambra.com.br/2026/06/01/casarao-de-ideias-e-iphan-resgatam-a-tradicao-das-tacacazeiras-as-quintas-no-centro-de-manaus/ Mon, 01 Jun 2026 17:01:00 +0000 https://latambra.com.br/?p=3724 A partir do dia 4 de junho, a calçada do centro cultural, será espaço de venda e transmissão de saberes dessas profissionais

Manaus – A partir da próxima quinta-feira (04/06), a calçada do prédio anexo do Casarão de Ideias, na Rua Barroso, bairro Centro, zona sul de Manaus, passa a receber, das 16h às 19h, o projeto ‘De tardinha tem tacacá na rua’, com as famosas e tradicionais tacacazeiras que, por muito tempo, ocuparam diversos espaços daquela região. A ação, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), busca valorizar e salvaguardar o ofício de tacacazeiras, reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em novembro de 2025.

“A cultura das tacacazeiras é algo que está enraizado no Amazonas e, apesar disso, essas figuras tão ilustres foram perdendo espaço para grandes empreendimentos. Essa parceria tem por objetivo maior resgatar essa tradição que sempre foi muito forte no Centro de Manaus, mas, principalmente, possibilitar um espaço para que essas profissionais possam trabalhar e preservar essa tradição, e voltarem para esse território criativo, recuperando memória, cultura e afeto, pilares primordiais para nós que somos fomentadores do Centro”, comenta João Fernandes, diretor do Casarão de Ideias.

O projeto prevê que as tacacazeiras se revezem semanalmente na calçada do Casarão de Ideias para a venda do tacacá e transmissão dos saberes. Além disso, será uma das formas de fortalecer e ampliar o mapeamento e a organização do Coletivo de Salvaguarda e o Plano de Ações Específicas do Amazonas, presente em toda Região Norte.

Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, a parceria representa uma forma concreta de transformar o reconhecimento em ação. “O registro é o ponto de partida, não o destino. Salvaguardar o ofício de tacacazeira significa garantir que esse saber continue vivo, valorizado e acessível. E iniciativas como essa são fundamentais para a sustentabilidade do patrimônio”, afirma ela.

Em novembro de 2025, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural reconheceu oficialmente o ofício de tacacazeira como Patrimônio Cultural Brasileiro, inscrevendo-o no Livro de Registro dos Saberes do Iphan. O registro não é apenas uma homenagem. É um compromisso do Estado brasileiro com a proteção, a valorização e a continuidade desse saber.

Com informações e fotos da assessoria.

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