LATAMBRA https://latambra.com.br Cultura, território e identidade latino-amazônica Wed, 21 Oct 2026 22:04:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://latambra.com.br/wp-content/uploads/2026/02/cropped-latambra-logo-vertical-v3-32x32.png LATAMBRA https://latambra.com.br 32 32 Tesouro escondido em Manaus: galeria subterrânea da Belle Époque abre as portas pela primeira vez no Casarão de Ideias https://latambra.com.br/2026/10/21/tesouro-escondido-em-manaus-galeria-subterranea-da-belle-epoque-abre-as-portas-pela-primeira-vez-no-casarao-de-ideias/ Wed, 21 Oct 2026 17:58:37 +0000 https://latambra.com.br/?p=3941 O espaço, datado do final do Século 19, foi descoberto durante o restauro do prédio que abriga o centro cultural.

Em comemoração ao aniversário de Manaus, o Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI) abrirá para visitação, nesta sexta-feira (23), uma galeria pluvial autêntica da Belle Époque, também conhecida como Galeria dos Ingleses. O espaço, que fica localizado no subsolo do centro cultural, na Rua Saldanha Marinho, bairro Centro de manaus, funcionará para visitação das 16h às 20h, com entrada gratuita.

De acordo com João Fernandes, diretor do Casarão de Ideias, a galeria foi descoberta durante a obra de restauro do prédio que abriga o centro cultural, onde já funcionou a Escola Estadual Saldanha Marinho. “Estamos muito felizes em entregar para Manaus esse presente histórico, em uma data tão simbólica. É um momento muito importante para o Casarão, enquanto casa de cultura, poder resgatar a história da nossa cidade, às vésperas de seu aniversário”, comenta ele.

Ainda de acordo com João Fernandes, a galeria pluvial conta com um corredor técnico de 40 metros de comprimento, dois metros de altura e dois de largura, com tijolos cerâmicos maciços vermelhos, assentados com uma argamassa hidráulica especial à base de cal e areia lavada.

“Sem dúvida, o grande trunfo dessa estrutura está na sua geometria de resistência, que são os arcos de descarga e abóbadas de berço em estilo catenária. Essa curvatura perfeita distribui o peso da avenida e do tráfego acima diretamente para as paredes laterais, dispensando vigas de sustentação”, detalha o diretor do Casarão de Ideias.

Ele ressalta que essa mistura de cal e areia lavada, resiste à força das águas e alta umidade do solo amazônico. Além disso, a superfície interna polida minimizava o atrito da água e impedia o acúmulo de resíduos no ambiente, hoje desativado.

“Além do próprio túnel já ser uma atração por si só, no interior desse ‘labirinto’ foram resgatados objetos de décadas passadas, como manilhas de barro, peças metálicas e garrafas antigas da década de 1940, deixadas por antigos alunos e funcionários, e que também estarão expostas. Elas são testemunhas silenciosas de uma Manaus rica, complexa e cheia de camadas”, finaliza João.

*Com informações da assessoria

Fotos: divulgação

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Festival Olhar do Norte 2026 transforma Manaus na capital do cinema amazônico https://latambra.com.br/2026/09/18/festival-olhar-do-norte-2026-transforma-manaus-na-capital-do-cinema-amazonico/ Fri, 18 Sep 2026 18:51:20 +0000 https://latambra.com.br/?p=3917 O Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte chega à 8ª edição com uma programação que reúne curtas e longas-metragens, filmes convidados, oficinas e debates. As exibições acontecem de 23 a 27 de setembro, no Teatro Amazonas e no Teatro Gebes Medeiros, enquanto as atividades formativas começam no dia 21 e ocupam diferentes espaços da cidade.

Ao longo de cinco dias, o público poderá acompanhar as mostras Amazônia Curtas, Amazônia Longas, Outros Nortes e Olhar Panorâmico, além de filmes convidados e sessões da Olhinho. A programação de filmes começa na quarta-feira (23), às 14h, no Teatro Gebes Medeiros, e às 16h, no Teatro Amazonas.

No Teatro Amazonas, o primeiro dia terá duas sessões de Amazônia Curtas e Outros Nortes. Às 16h, serão exibidos “Ajude Os Menor”, “Recife Tem Um Coração”, “Tukàn – A Semente Plantada”, “O Olhar de Antônio” e “A Ascensão da Cigarra”. Às 18h15, entram em cartaz “Entrevista com Fantasmas”, “Floresta do Fim do Mundo”, “BICI, A História de Uma Bicicleta No Afuá”, “Te Vejo Na Próxima Saída do Boi”, “Através da Sacada” e “Flores Secas”.

‘Feito Pipa’ abre o festival

A sessão de abertura começa às 20h30, no Teatro Amazonas, com o curta amazonense “Tarde Dentro da Tarde”, dirigido por Rafael Ramos, seguido pelo longa “Feito Pipa”, do cineasta cearense Allan Deberton.

Rodado em Quixadá, no sertão do Ceará, o filme acompanha Gugu, um menino de 12 anos criado pela avó Dilma, que enfrenta a possibilidade de morar com o pai. O elenco reúne Teca Pereira, Lázaro Ramos, Yuri Gomes, Carlos Francisco e Georgina Castro.

Foto: divulgação

“Feito Pipa” conquistou cinco prêmios internacionais, entre eles dois no Festival de Berlim, e quatro Kikitos no Festival de Cinema de Gramado: Melhor Direção, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular. O longa também está entre os 15 títulos habilitados para a escolha do representante brasileiro no Oscar 2027, na categoria de Melhor Filme Internacional.

Longas da Amazônia

A programação competitiva de longas-metragens começa na quinta-feira (24), às 18h15, no Teatro Amazonas, com “Xingu, Nosso Rio Sagrado”, de Angela Gomes, do Pará. Às 20h30, a sessão Filmes Convidados apresenta o curta amazonense “Zona XYZ”, de Ricardo Manjaro e Henrique Amud, seguido por “Obeso Mórbido”, longa dirigido pelo amazonense Diego Bauer.

Na sexta-feira (25), a mostra Amazônia Longas apresenta “Empresário do 3º Mundo”, de Mateus Guzzo, do Pará, às 18h15. Às 20h30, a programação segue com “3×4”, da amazonense Juliana Tizatto, e “Terruá Pará”, de Jorane Castro.

No sábado (26), entram em cartaz “Memória de Elefante”, de Severino Neto, de Mato Grosso, às 18h15, e, a partir das 20h30, “Kika Não Foi Convidada”, de Juraci Junior, de Rondônia, e “Jamary”, de Begê Muniz, do Amazonas.

Curtas e Outros Nortes

Na quinta-feira (24), a sessão das 16h reúne “Éter”, “Lendas da Noite”, “Samba Infinito”, “Capim”, “Minha Tia Suzi” e o amazonense “Por Onde Você Vai”.

Na sexta-feira (25), também às 16h, serão exibidos “Caldeirão”, “Tião Personal Dancer”, “Maira Porongyta – O Aviso do Céu”, “Crescente” e “A Terra das Estrelas Distantes”.

A última sessão da mostra acontece no sábado (26), às 16h, com “Grão”, “Kakxop Pahok: As Crianças Cegas”, “Como Ler O Vento”, “Poronga” e “A Pele do Ouro”.

Olhar Panorâmico no Gebes Medeiros

O Teatro Gebes Medeiros recebe três sessões do Olhar Panorâmico, sempre às 14h. Na quarta-feira (23), a programação reúne “O Último Varredor”, “Frutinha”, “Limbo”, “Mala Preta” e “Cabeça de Martelo”.

Na quinta-feira (24), serão exibidos “Rios de Memórias”, “De Volta Ao Começo”, “Praia Grande”, “Devaneios Rodoviários” e “No Limite do Lavrado”.

Já na sexta-feira (25), a mostra apresenta “Umassuma – Lascas de Memórias”, “Carne Crua”, “Magrela”, “Maior Que A Casa Toda”, “Quem É Que Vai Nos Proteger Agora?!” e “Ybi”.

Oficinas gratuitas

A programação acadêmica começa na segunda-feira (21), com quatro oficinas em diferentes espaços da cidade. “Como fazer uma self-tape”, com Diego Bauer, será realizada nos dias 21 e 22 de setembro, das 9h às 13h.

A oficina “Direção Cinematográfica”, com Rafael Ramos, acontece de 22 a 24 de setembro, das 9h às 12h.

De 23 a 25 de setembro, das 9h às 13h, serão realizadas outras duas atividades: “Oficina de Montagem”, com Eduardo Resing, e “Aperfeiçoamento Artístico em Maquiagem”, com Eugênio Lima.

Debates

A programação acadêmica inclui ainda quatro debates sobre os filmes exibidos no festival. Os encontros acontecem de 24 a 27 de setembro, sempre das 10h às 12h, no Salão do Teatro Gebes Medeiros.

Na quinta-feira (24), o debate reúne “Tukàn – A Semente Plantada”, “O Olhar de Antônio”, “A Ascensão da Cigarra”, “BICI, A História de Uma Bicicleta No Afuá”, “Te Vejo Na Próxima Saída do Boi”, “Através da Sacada”, “Flores Secas” e “Feito Pipa”.

Na sexta-feira (25), entram em debate “Capim”, “Minha Tia Suzi”, “Por Onde Você Vai” e “Xingu, Nosso Rio Sagrado”. No sábado (26), será a vez de “Maira Porongyta – O Aviso do Céu”, “Crescente”, “A Terra das Estrelas Distantes”, “Empresário do 3º Mundo” e “Terruá Pará”.

No domingo (27), o último encontro reúne “Como Ler O Vento”, “Poronga”, “A Pele do Ouro”, “Memória de Elefante” e “Jamary”.

Encerramento e premiação

No domingo (27), o Teatro Amazonas recebe as últimas atividades do festival. Às 16h, a sessão Filmes Convidados apresenta “Concerto de Quintal”, de Juraci Junior, de Rondônia. Às 18h, a sessão de encerramento exibe o longa amazonense “Os Avós”, directed por Ana Lígia Pimentel. A programação termina com a cerimônia de premiação, marcada para 20h.

Festival Olhar do Norte

Referência do audiovisual na Região Norte, o Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte chega à oitava edição e acontece de 23 a 27 de setembro, com atividades em diferentes espaços culturais de Manaus. A programação reúne produções da Amazônia e de outras regiões do Brasil, entre mostras competitivas e não competitivas, além de ações de formação e atividades voltadas ao diálogo sobre cinema.

Uma das novidades de 2026 é a estreia da mostra competitiva Amazônia de Longas-Metragens. A mostra reúne filmes realizados nos estados que integram a Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins – ou dirigidos por cineastas desses estados.

Foto: divulgação/ Laryssa Gaynett

O festival conta ainda com as mostras competitivas Amazônia de Curtas-Metragens, destinada a filmes produzidos nos estados da Amazônia Legal; Outros Nortes, voltada para produções e diretores dos demais estados brasileiros; e Olhar Panorâmico, que reúne uma seleção de trabalhos da Amazônia Legal.

A programação inclui também a mostra não competitiva Olhinho, dedicada a filmes infantojuvenis e aberta a produções de todo o país, além de obras convidadas pela curadoria.

Após as sessões presenciais, o festival amplia sua presença digital por meio da parceria com a plataforma Itaú Cultural Play, que disponibilizará on-line os filmes das mostras de curtas amazônicos e panorâmicos.

A 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte é realizada pela Artrupe Produções, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Itaú e parceria do Cine Set e do Itaú Cultural Play.

A programação completa está disponível em festivalolhardonorte.com e no perfil @olhardonorte, no Instagram.

Com informações da assessoria.

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O som que atravessou rios: a história e a força do ritmo beiradão chegam ao Cine Teatro Guarany, em Manaus https://latambra.com.br/2026/09/17/o-som-que-atravessou-rios-documentario-resgata-a-historia-e-a-forca-do-ritmo-beiradao/ Thu, 17 Sep 2026 00:16:41 +0000 https://latambra.com.br/?p=3902 Integrando a mostra gratuita “O Cinema de Fidel Graça” no Cine Teatro Guarany, em Manaus, a obra faz um diagnóstico detalhado da sonoridade criada no interior dos seringais e que se tornou a trilha sonora de gerações pela Amazônia.

Das festas nos seringais às transmissões de rádio, a história do ritmo genuinamente amazônico ganha novos capítulos de difusão. Após sua estreia marcante no município de Borba, o documentário “Beiradão – O Ritmo do Interior”, idealizado pelo cantor e compositor Fidel Graça, amplia sua circulação e ganha exibição gratuita na capital amazonense neste sábado, 19 de setembro, no Cineteatro Guarany, localizado no Centro de Manaus (anexo ao Centro Cultural Palácio Rio Negro), reforçando a valorização desse patrimônio cultural.

Contemplado pela Lei Aldir Blanc (Prêmio Feliciano Lana), o registro audiovisual resgata as origens e influências da chamada música de beiradão através de depoimentos de personalidades e mestres da cena regional. A obra traça o impacto da sonoridade criada no interior dos seringais — guiada pelo encontro marcante das guitarradas com os saxofones — e sua consolidação no ecossistema musical do Amazonas.

Memória, identidade e territorialidade

A obra traz entrevistas com nomes como Aurimar Ribeiro, Diquinho do Sax, o maestro e pesquisador Cláudio Abrantes, Edvar Souza, Eliberto Barroncas, Neil Armstrong, Otávio de Borba, Serginho Rendres e Ricarth Donna, além de empresários e agentes locais como Toinho Cidade, Bruno Souza e Antônio Graça.

“É um trabalho que valoriza os artistas, a cultura e a história de Borba e do Amazonas. O documentário tem, acima de tudo, um cunho educativo. O maestro Cláudio Abrantes, por exemplo, conta como um instrumento tão sofisticado como o sax foi parar nas comunidades ribeirinhas”, destaca Fidel Graça.

Apesar de ganharem projeção nas capitais com a popularização do rádio, as tradições festivas nos beiradões remontam ao período do ciclo da borracha. Como aponta o pesquisador Eliberto Barroncas, a falta de emissoras na época fazia com que os trabalhadores criassem suas próprias festas e dinâmicas sociais nos seringais, transformando a música em um elemento essencial de sobrevivência e comunidade.

Circulação na capital

Filmado entre Borba e Manaus, “Beiradão – O Ritmo do Interior” conta com codireção de Luiz de Almeida, edição e sonoplastia de Thiago Alencar e trilha sonora inédita assinada por Fidel Graça com produção de Anderson Cantalice.

A exibição no Cineteatro Guarany, consolida o percurso da produção em aproximar o público da capital das narrativas e memórias do interior. A sessão integra as ações de difusão do audiovisual amazonense e reafirma o beiradão como patrimônio e pilar da identidade cultural do estado.

A origem

O som, meio caminho entre o instrumental e o cantado, desenvolvido nos chamados “beiradões”, como são conhecidas as festas das comunidades de beira de rio amazônicas, ganha um novo olhar de Fidel Graça, que se diz satisfeito com o resultado do documentário.

“É um trabalho que valoriza os artistas, a cultura e a história de Borba. Foi um processo árduo, com grande dificuldade de gravar na pandemia, mas o esforço valeu a pena. O documentário tem, acima de tudo, um cunho educativo. O maestro Cláudio Abrantes, um dos entrevistados, conta como um instrumento tão sofisticado como o sax foi parar nas comunidades ribeirinhas do Amazonas”, disse Graça.

Apesar de se tornarem mais conhecidas entre os manauaras com as transmissões das rádios, essas tradições festivas nos beiradões datam de um período em que essa mídia nem existia. Eliberto Barroncas chama atenção para isso em entrevista publicada na dissertação de mestrado do pesquisador Rafael Norberto: “A música do beiradão aconteceu desde a época da borracha, quando os nordestinos vieram para cá. Não existia nessa época rádio, então eles tocavam, faziam as próprias festas, dançavam homem com homem no seringal, pela ausência de uma vida social com mulheres. Dançavam com mulher, mas também dançavam homem com homem”, aponta.

Genuinamente amazônico

Além de traçar os caminhos relevantes ao envolvimento dos músicos locais, dentro das realidades sofridas nestas regiões distantes dos centros urbanos, a obra também tem valor sentimental ao idealizador. “A música de beiradão tem um significado muito especial pra quem é do interior, é algo indescritível. Parece estar no DNA do caboclo; em Borba, você sente a energia e a magia quando se toca o sax. Eu quis mostrar a cara de Borba e homenagear os artistas que são minha inspiração”, afirma Graça. “Beiradão – O Ritmo do Interior” foi filmado em Borba e parte em Manaus, e tem codireção de Luiz de Almeida, edição e sonoplastia de Thiago Alencar e música inédita pelo próprio idealizador. “A música tema é um beiradão inédito, de minha autoria, produzida por Anderson Cantalice (também assistente de direção), gravada em Borba”, conta o diretor do documentário.

A obra tem produção da ML Produções, e, além do citado Cantalice, foram assistentes de produção Wildley Colares e Marcelo Gomes. A captação de imagens é mais uma das funções de Graça, que também dirigiu a fotografia e escreveu o roteiro (com Luiz de Almeida), tendo imagens de apoio de Maurício Motta.

*Com informações da assessoria

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Feira D inicia nesta quinta-feira (20/08) com mais de 60 criativos e peças idealizadas exclusivamente para a edição https://latambra.com.br/2026/08/20/feira-d/ Thu, 20 Aug 2026 01:30:09 +0000 https://latambra.com.br/?p=3892 O evento, que tem entrada gratuita, segue até domingo (23/08), das 10h às 20h, no Ideal Clube

A nona edição da Feira D, evento que reúne arte, moda e design, inicia nesta quinta-feira (20/08), a partir das 10h, no Ideal Clube, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro esquina com a Rua Monsenhor Coutinho, bairro Centro, e segue até domingo (23/08), com entrada gratuita. Desta vez, 62 criativos de diferentes partes do Brasil se encontram no coração da Amazônia apresentando suas peças e promovendo um intercâmbio cultural.

Um dos diferenciais desta edição, é que algumas marcas criaram peças exclusivas para apresentar para o público amazonense. É o caso do Filho de Mercúrio (PE), alter ego do ilustrador e designer Eduardo Amorim, e que dá nome à marca. “Conheci Manaus em abril, durante uma edição da Feira D, e fiquei apaixonado pela cidade. Agora, preparei uma coleção de ilustrações inspiradas em tudo o que vi. A maior parte dos desenhos são relacionados a fauna com impressões manuais, feitas com serigrafia em uma técnica mista, onde incluo as linogravuras”, explica ele.

Eduardo adianta que serão peças numa quantidade limitada incluindo os bois de Parintins – Caprichoso e Garantido – e uma colaboração com a marca local de roupa Pacovã. “Criei duas ilustrações de casais de araras azuis e vermelhas que estão em um ‘dengo’, uma coisa mais afetiva. Então, o público pode esperar uma coleção pequena e exclusiva, pensada especificamente para Manaus. Não é uma adaptação de um trabalho anterior, é algo nascido do meu primeiro contato com a cidade”, salienta. 

Memórias

Oriundo do município de Benjamin Constant, na região do Vale do Javari, mas residindo em Bauru, o designer gráfico e ceramista Jansseem Cardoso, responsável pela Javari (SP), apresentará uma coleção também inspirada na fauna e na sua vivência na região. Longe do Amazonas desde 2011, suas criações partem de um resgate de sua memória afetiva. “Trabalho muito com máscaras indígenas e latino-americanas. Também estou levando moringas de onça, macaco e os bois de Parintins. As pessoas podem esperar se olharem nas peças, se reconhecerem de alguma forma. Estou muito ansioso para ver a reação de todos”, comenta.

Já a designer Bruna Arsati, da Greta Ateliê (SC), reforça que trará para a cidade peças que já fazem parte do catálogo da marca desde a primeira vez que esteve em Manaus e se apaixonou. “Então vamos levar peças em formato de vitória-régia – tanto brinco quanto broche – além do pirarucu e da arraia de parede que já viraram clássicos, mas também fizemos especialmente para Manaus”, explica ela, lembrando que contará, ainda, com peças comemorativas de Parintins, como colares com pedras azuis e vermelhas para representar Caprichoso e Garantido, respectivamente. “Isso sem falar das criações de primavera com flores divertidas e coloridas”. 

A Pakatatu (RJ), de Gustavo Coelho, apresentará peças de decoração com novas técnicas de pintura e acabamentos que ainda não tinham sido experimentados. “Estamos muito felizes com o resultado e com tudo que estamos descobrindo nesse processo. Fizemos uma pesquisa sobre a fauna e a flora da Amazônia e, a partir dela, criamos nossas próprias interpretações, trazendo aquele nosso olhar mais lúdico e cheio de detalhes. O público pode esperar uma coleção que é, acima de tudo, uma homenagem à cultura, com muita brasilidade e um resgate das memórias e histórias que fazem parte da gente”, finaliza ele.

A Feira D também contará com criativos do Acre, Alagoas, Pará, Minas Gerais, Ceará e Amazonas. Entre eles: Euevoco, Sagrado Barro, Foz, Brilho da Mata, Naisha Cardoso, Carlos Penna, Associação Ceará Design (com 12 criativos), Oco Clube, Casa Decorare, Mangarataia, Sapopema, Âmbar Prata, Arta, Studio Arthur Teixeira, Atelier 1970, Atelier Ketelengo, Bordados Mensageiros, Céu, Estúdio 092, Fio a Fio Macramê, Flor Silva, Ga.ha, Granular, Kevas, Libbu, Natisserie, Ori, Pacovã, Que Style, Relaxamente, Siouduhi, Tropicália, Tupana, Wald, Lorrine Almeida Confeitaria, Javari, Casa Di Eva, Estúdio Cerrado, Estúdio Libero, Ale Design, All Kind, Lauz, Olaria, Vitalina, Alex Torres, Ateliê Mínima, Fabrico de Ideias, Tatxoz, Zsolt, Agnes Company, Camila Romero, De Araque, DZT, Sacola Tropical, Silene Iolê, Tela, Zeus Achetti.

Com informações e fotos da assessoria.

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Na floresta, no quintal e na memória: como a Nawê transforma sabores amazônicos em sorvetes artesanais https://latambra.com.br/2026/08/13/na-floresta-no-quintal-e-na-memoria-como-a-nawe-transforma-sabores-amazonicos-em-sorvetes-artesanais/ Thu, 13 Aug 2026 21:37:04 +0000 https://latambra.com.br/?p=3846 Da fruta colhida nos quintais de Manaus ao chocolate de cacau nativo, sorveteria aposta na sociobiodiversidade, agricultura familiar e criatividade para valorizar ingredientes amazônicos em cada receita.

Um sorvete pode contar histórias e, também, pode preservar memórias da infância, fortalecer comunidades rurais, incentivar a agricultura familiar e apresentar novos sabores a quem acredita que sorveteria se resume a sabores cada vez mais industrializados e sem a afetividade.

Nina Best – CEO da Nawê Sorvetes Artesanais, na Bioeconomy Amazon Summit 2026 Belém (PA).

Foi justamente pensando em resgatar essa proposta mais sensível dos amazônicos que a Nawê Sorvetes Artesanais, de Manaus, construiu sua identidade a partir da biodiversidade amazônica e dos ingredientes produzidos na região.

“Vendemos sorvete artesanal de qualidade. Mas, desde o início, a maior preocupação foi trabalhar com ingredientes da sociobiodiversidade e da agricultura familiar”, explica a fundadora da Nawê, Nina Best. 

Para a empreendedora, o mote principal é trabalhar com frutos dos quintais de Manaus, como a carambola, cupuaçu, graviola, jambo, manga, sendo frutas que já fazem parte da paisagem urbana amazônica.

Segundo ela, utilizar essas frutas é também uma forma de reconhecer um patrimônio invisível da capital amazonense. “Manaus é uma das cidades menos arborizadas do Brasil. Valorizar essas árvores frutíferas é uma forma de reconhecer esse território”, frisou.

O sabor da fruta em primeiro lugar

Para a Nawê, o protagonista não é o leite nem o creme. É a fruta! Por isso, boa parte do cardápio é composta pelos chamados sorbets, sorvetes à base de água que preservam melhor o sabor natural dos ingredientes. “Sinto muita falta de sorvetes de fruta mesmo. Então, uma das prioridades da Nawê tem sido produzir sorbets, que dão ênfase ao gosto da fruta, como se você estivesse comendo a fruta geladinha’’, destaca Nina.

Para ela, reduzir o excesso de gordura láctea permite que os sabores apareçam com mais intensidade. “Menos creme, menos gordura láctea, que às vezes camufla um pouco esses sabores. A proposta era trazer de volta alguns sabores que fazem parte da nossa infância manauara. Um bom creme de cupuaçu, um bom sorvete de amendoim, valorizando os processos artesanais”, relembra.

Produção artesanal do começo ao fim

Na cozinha da Nawê, praticamente tudo é produzido internamente. As frutas são processadas, assim como geleias, caramelos e caldas. A marca reconhece que o sorvete, em sua essência, é um alimento ultraprocessado. Justamente por isso, busca reduzir essa característica ao máximo.

Um sorvete amazônico até quando é cheesecake

Apesar de priorizar ingredientes locais, a Nawê também brinca com referências internacionais. A ideia é adaptar receitas conhecidas ao universo amazônico. “O sorvete não é daqui. Então fazemos uma apropriação cultural, transferindo para o sorvete os nossos sabores. “É o caso do cheesecake de cupuaçu. Misturamos geleia de cupuaçu, puxuri, cumaru e castanha. É isso que dá a essência amazônica dentro de um sorvete de cheesecake”, revela a dona da Nawe.

Esqueça o pistache. Experimente castanha!

Um dos desafios enfrentados pela sorveteria é convencer o consumidor a experimentar ingredientes regionais no lugar de sabores tradicionais.

Para Nina, falta comunicação sobre o potencial dos ingredientes amazônicos. “Temos ingredientes maravilhosos, mas ainda não sabemos executá-los e apresentá-los. Um bom produto com uma boa comunicação consegue romper essas barreiras”, conta.

“Sempre que me solicitam um sorvete de morango, eu ofereço alguma fruta regional. Quando solicitam pistache, ofereço castanha. Então, não faz sentido utilizar um morango que viajou milhares de quilômetros e perdeu qualidade. Prefiro trabalhar aquilo que o território oferece”, defende.

Chocolate amazônico, não belga

Até mesmo o chocolate utilizado nas receitas segue a mesma filosofia. A Nawê utiliza cacau amazônico produzido pela Na’kau-Chocolate Amazônico, iniciativa que trabalha com produtores de cacau nativo e comunidades da floresta.

De acordo com a CEO da Nawê, a escolha vai além da qualidade gastronômica. “Hoje utilizamos chocolate amazônico de verdade. Não é chocolate belga. A proposta principal é valorizar o que é nosso”, enfatiza.

Outro pilar da sorveteria é a compra direta de produtores da agricultura familiar. Além das frutas mais conhecidas, entram em cena ingredientes pouco explorados comercialmente.

Entre eles estão cubiu, mangarataia, banana pacovã, taperebá, maracujá e diversas plantas alimentícias não convencionais (PANCs). “São frutos que fazem parte desse cinturão verde que alimenta Manaus. Assim, fortalecemos também os agricultores envolvidos”, completa.

Nawê Sorvetes

Horários de atendimento: Quarta a sexta – 10h30 às 17h30 | Sábado – 10h às 16h30
Instagram: @nawesorvetes

WhatsApp: Quintal da Nawê e pedidos

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Teatros da Amazônia entram para a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO https://latambra.com.br/2026/07/27/teatros-da-amazonia-entram-para-a-lista-do-patrimonio-mundial-da-unesco/ Mon, 27 Jul 2026 17:32:58 +0000 https://latambra.com.br/?p=3841 Reconhecimento destaca o valor histórico, arquitetônico e cultural do Teatro Amazonas e do Theatro da Paz, agora oficialmente inscritos entre os patrimônios mundiais da humanidade.

BRASÍLIA – O Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA), foram reconhecidos como patrimônio cultural do mundo. Os dois teatros, que são tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde os anos 1960, agora integram a Lista do Patrimônio Mundial Cultural da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

A proposta de reconhecimento – formalizada pelo Iphan em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, com colaboração das Secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará – se baseou numa candidatura conjunta dos dois teatros, aprovada na madrugada desta segunda-feira (27) pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, na Coreia do Sul. Com a aprovação, os dois passam a figurar juntos na lista da Unesco, sob a designação “Teatros da Amazônia”, ao lado de outros sítios brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial Cultural. É o caso do Plano Piloto de Brasília, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e os centros históricos de Olinda e Salvador.

História compartilhada

Símbolos do boom econômico gerado pela extração da borracha no Norte do Brasil, no século XIX, o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus, foram inaugurados em 1878 e 1896, respectivamente.

Ambos representavam um mesmo projeto de modernização urbana e a inserção da região amazônica, por meio de seus rios, em circuitos comerciais e culturais globais. Foram duas das primeiras grandes casas de ópera das Américas, passando a atrair companhias europeias para temporadas casadas entre as duas cidades. Arquitetônica e artisticamente, mesclavam influências e materiais importados com madeiras e motivos da floresta, resultando numa estética original, ao mesmo tempo cosmopolita e amazônica. Idealizados por uma elite seduzida pelos ideais da Belle Époque e erguidos por trabalhadores locais, ao longo do tempo os teatros transcenderam o propósito de seus fundadores. Além dos espetáculos de ópera, conquistaram espaço as manifestações de culturas populares brasileiras e atividades que hoje atravessam diversas expressões artísticas, do carimbó ao jazz, do boi-bumbá ao cinema, impulsionando a formação de artistas e técnicos e a atividade turística. São marcos cívicos e culturais das duas cidades, juntamente com as praças em seu entorno – a Praça da República, em Belém, e o Largo de São Sebastião, em Manaus. Agora, tornam-se oficialmente o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.

Com a inscrição dos Teatros da Amazônia, o Brasil passa a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, dos quais 16 são culturais, nove são naturais e um é sítio misto.

Confira a lista completa de bens brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial, por data de inscrição na Lista da Unesco:

Bens culturais:

1980: Cidade Histórica de Ouro Preto

1982: Centro Histórico de Olinda *

1983: Ruínas de São Miguel das Missões

1985: Centro Histórico de Salvador

1985: Santuário do Bom Jesus do Congonhas

1987: Brasília

1991: Parque Nacional Serra da Capivara

1997: Centro Histórico de São Luís

1999: Centro Histórico de Diamantina

2001: Centro Histórico da Cidade de Goiás

2010: Praça de São Francisco na Cidade de São Cristóvão

2012: Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar

2016: Conjunto Moderno da Pampulha

2017: Sítio Arqueológico do Cais de Valongo

2021: Sítio Roberto Burle Marx

2026: Teatros da Amazônia

Bens naturais:

1986: Parque Nacional do Iguaçu

1999: Reservas da Mata Atlântica do Sudeste

1999: Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta

2000: Área de Conservação do Pantanal

2000: Complexo de Conservação da Amazônia Central

2001: Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas

2001: Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas

2024: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

2025: Cânion do Rio Peruaçu

Bens mistos:

2025: Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade

Com informações da Agência Brasil

Foto: reprodução internet

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Araras na Calçada: o happy hour que transformou uma rua de Manaus em ponto de encontro https://latambra.com.br/2026/07/23/araras-na-calcada-o-happy-hour-que-transformou-uma-rua-de-manaus-em-ponto-de-encontro/ Thu, 23 Jul 2026 20:23:01 +0000 https://latambra.com.br/?p=3794 Chope artesanal, música e pequenos negócios se encontram todas as quintas-feiras em uma calçada no bairro Petrópolis.

Às cinco da tarde, a rua Bem-Te-Vi, no bairro Petrópolis, em Manaus, ainda guarda o ritmo comum de um fim de expediente. Pouco depois das 19h, o cenário muda completamente. Cadeiras de praia ocupam a calçada, tonéis servem de mesa, copos brindam entre desconhecidos e um cavaquinho embala conversas que logo deixam de ser entre estranhos.O encontro acontece todas as quintas-feiras e já ganhou nome próprio: Araras na Calçada.

O que começou como uma alternativa para vender chope artesanal transformou-se em um espaço de circulação cultural, fortalecimento de pequenos empreendedores e construção de comunidade em plena Zona Centro-Sul da capital amazonense.

Do fim ao recomeço

A história do Araras começou em 2024, quando o encerramento das atividades da cervejaria onde Aluísio Santos e Crislainy Alves trabalhavam abriu espaço para um novo projeto. Amigos e colegas de trabalho, os dois decidiram transformar a experiência que já tinham no setor em um negócio próprio.

“Olhamos um para o outro e nos perguntamos: por que não criar uma cervejaria com a nossa personalidade, do nosso jeito? A resposta foi simples e assim nasceu a Cervejaria Araras”, relembra Crislainy.

A primeira produção saiu em novembro daquele ano e passou a ser vendida em uma feira de produtos orgânicos. A experiência, porém, durou pouco. Com a mudança do evento para um espaço federal, a comercialização de bebidas alcoólicas deixou de ser permitida.

Da incerteza ao encontro

Sem um ponto de venda, os empreendedores precisaram reinventar o negócio. O antigo sonho de servir chope em uma Kombi parecia cada vez mais distante, até que amigos ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI) sugeriram ocupar a calçada em frente ao órgão nas noites de quinta-feira.A ideia parecia arriscada.

“Foi a primeira vez que estaríamos sozinhos, sem o apoio da feira e sem saber se as pessoas apareceriam. Mas fomos na cara e na coragem”, revelou a empreendedora.

Aluísio Santos e Crislainy Alves (foto: divulgação)
Aluísio Santos e Crislainy Alves | idealizadores do Araras na Calçada. (foto: divulgação)

Foi na terceira edição que o encontro ganhou nome. Ao chegar ao local, uma amiga perguntou: “Hoje vai ter Araras na Calçada?”. A pergunta, feita de forma espontânea, acabou batizando oficialmente o projeto.

Muito além da cerveja

A cada quinta-feira surgiam pequenas melhorias. Vieram as cadeiras de praia, a iluminação com varais de luzes e um ambiente pensado para que as pessoas permanecessem mais tempo conversando.

“O boca a boca fez o restante. Motoristas reduziam a velocidade para descobrir o que movimentava uma rua normalmente tranquila. Encontravam uma Kombi servindo chope artesanal, música ao vivo e um ambiente onde a conversa ainda acontecia olho no olho.

Foi quando os próprios fundadores perceberam que o empreendimento havia ultrapassado a lógica comercial. “Hoje entendemos que o Araras na Calçada não é apenas sobre cerveja. A cerveja foi o motivo inicial. As pessoas são o que realmente transformaram aquele pedaço de calçada em algo tão especial”, afirma Aluísio.

Segundo ele, quem chega sozinho dificilmente vai embora da mesma forma. Entre uma mesa improvisada e outra, já nasceram amizades, parcerias profissionais, comemorações acadêmicas, aniversários e novos projetos.

A bióloga Rafaela Gurgel, frequentadora do evento, também percebeu essa mudança na dinâmica do instituto. “O instituto tem poucos eventos para aproximar as pessoas. São três prédios e o Araras é uma ótima oportunidade para juntar não só as pessoas do instituto, mas também os amigos que vêm de fora.”

Para Rafaela, o encontro também acabou se tornando uma porta de entrada para quem passa pela região e não conhece o instituto.

“As pessoas acabam parando, ficando e conhecendo até mesmo o próprio INPA. O evento chama atenção e faz as pessoas perceberem que ali existe um espaço de convivência.”

A calçada como palco

A música ao vivo é outro elemento que compõe a experiência do Araras na Calçada. Nas noites de quinta-feira, apresentações dividem espaço com o chope artesanal e as conversas, ajudando a transformar uma reunião entre amigos em um encontro que reúne diferentes públicos.

O engenheiro de software Wanderson Mendes conheceu o evento a convite de uma amiga e se surpreendeu com a maneira como uma simples calçada pode assumir, por algumas horas, outras funções. “Hoje, já não percebo onde termina a calçada e começa o palco. Ou seria o inverso?”, brincou.

A imagem resume a transformação daquele trecho da rua Bem-Te-Vi. O espaço que durante o dia serve à circulação de moradores ganha, à noite, cadeiras, música, bebidas e encontros. Para Wanderson, o resultado é uma experiência marcada pela descontração e pelas conexões que surgem de maneira espontânea.

Uma nova ocupação da cidade

O Araras na Calçada também revela uma nova maneira de ocupar a cidade. Em vez de depender de uma estrutura comercial tradicional, o empreendimento transformou uma calçada em ponto de encontro e, ao redor dela, passou a reunir música, consumo e outros pequenos empreendedores.

A rua, que durante o dia serve à circulação de moradores, ganha à noite cadeiras, música, bebidas e encontros. Por algumas horas, a fronteira entre o espaço de passagem e o espaço de convivência parece desaparecer.

Quando a última música termina e as cadeiras começam a ser recolhidas, sobra pouco da estrutura que ocupou a rua. Na quinta-feira seguinte, porém, o cenário volta a se repetir. Entre um copo de chope, uma roda de samba e novas conversas, a calçada ganha novamente outro significado.

Nas quintas-feiras, o happy hour tem lugar certo. E nome também: Araras na Calçada.

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Ana Lígia Pimentel lança documentário ’Parintins – 72 horas’ durante o festival folclórico 2026 https://latambra.com.br/2026/06/18/ana-ligia-pimentel-lanca-documentario-parintins-72-horas-durante-o-festival-folclorico-2026/ Thu, 18 Jun 2026 14:47:59 +0000 https://latambra.com.br/?p=3781 A produção, gravada em 2025, será exibida em diversos pontos da Ilha Tupinambarana, incluindo o Bumbódromo

Uma homenagem aos torcedores de Caprichoso e Garantido. É assim que a cineasta Ana Lígia Pimentel – que concorreu no Festival de Gramado, em 2025, com ‘Os Avós’ – descreve o documentário ‘Parintins – 72 horas’, que terá sua estreia durante o Festival de Parintins, mais precisamente no Bumbódromo, na próxima sexta-feira (26/06), a partir das 15h, quando as galeras dos bois irão entrar no palco de uma das maiores manifestações culturais do Brasil.

Com uma hora de duração, o filme foi todo gravado durante o festival de 2025, com direção de fotografia de Ana Rezende, mas surgiu de uma inquietação da cineasta que, em 2022, enfrentou a fila da galera do Garantido para assistir as apresentações. “Foi minha primeira vez em Parintins, e fiquei impressionada como as pessoas ficam dias ali, debaixo de um toldinho, crianças, idosos, comendo tambaqui e quentinha, e ninguém nem aí, tudo certo. Isso mexeu muito, à época, com meu lado de artista, de cineasta e enquanto ser humano pensante”, explica Ana Lígia.

A partir daí, o desejo ficou ‘adormecido’ em decorrência de outros projetos, ganhando vida, de fato, no ano passado. “Em 2025, pouco antes do festival, resolvi escrever um argumento e apresentar à Secretaria de Cultura. Não achei que fosse dar certo, pois estava muito em cima e não haveria verba. Ana Rezende, minha diretora de fotografia, disse que viria ao Amazonas novamente gravar comigo, se fosse Parintins. Conversei com a secretaria que, prontamente, se identificou com o projeto e viabilizou a produção com pequena verba e ajuda de custo. A equipe literalmente é de duas pessoas”, conta ela.

Ainda segundo Ana Lígia, “inúmeras manifestações culturais acontecem ao redor do mundo, normal”, mas com a intensidade de Parintins, não existe. “Essa rivalidade é única. Uma das personagens, por exemplo, que é torcedora do Caprichoso, não compra tomate pra casa dela porque é vermelho. Isso não tem em outras culturas populares. Isso que me chamou a atenção e por isso fiz o filme”, salienta a cineasta.

Além da exibição no Bumbódromo, os interessados podem assistir a produção também na sexta-feira, na Estação da Cultura, na Praça da Catedral, às 16h, com 60 lugares, e o trailer oficial será exibido no Bumbódromo, às 19h, antes das apresentações dos bois. “É uma homenagem às galeras, mostrando essa ‘saga’ que é ir para Parintins, com pessoas que se endividam, que deixam suas famílias para realizarem o desejo de assistirem seus bois. O foco não são os itens, nem os bois em si, mas àquelas pessoas que fomentam essa paixão, que muito se compara ao futebol, se formos escalonar. É essa peculiaridade cultural em torno do seu condicionamento quando se é fã˜, finaliza Ana Lígia.

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Caê Boteco & Cozinha chega ao Centro de Manaus resgatando a história e sendo um espaço democrático https://latambra.com.br/2026/06/11/cae-boteco-cozinha-chega-ao-centro-de-manaus-resgatando-a-historia-e-sendo-um-espaco-democratico/ Thu, 11 Jun 2026 20:56:27 +0000 https://latambra.com.br/?p=3769 Com um cardápio brasileiríssimo e drinques que contam com tecnologia inovadora, o espaço funcionará de segunda-feira a domingo, sempre a partir das 17h.

Manaus – Afeto, cultura e identidade brasileira. Esse tripé, extremamente forte, diga-se de passagem, é que servirá de base para o Caê Boteco & Cozinha, que passa a funcionar nesta quarta-feira (03/06), a partir das 17h, no cruzamento das ruas Costa Azevedo com a 24 de Maio, coração boêmio e pulsante do Centro de Manaus.

Criado por Walter Cohen e Wilson Aires, frequentadores assíduos do Centro, o Caê nasceu do desejo de resgatar o espírito dos botecos clássicos: unindo simplicidade, acolhimento e muitas histórias, mas com ‘pitadas’ de uma curadoria que perpassa pela música, por drinques e um cardápio de dar ‘água na boca’.

“O Caê é, antes de tudo, um lugar de encontro. E o Centro de Manaus tem uma alma boa para encontros. É um território pulsante, histórico e cheio de camadas culturais. Então, estar presente nesse ambiente é um gesto consciente de ocupar, valorizar e fazer parte desse movimento de retomada da região, trazendo vida para um lugar que sempre foi o coração da cidade”, comenta Walter Cohen.

História

De acordo com o levantamento realizado pela dupla de empresários, o prédio que abriga o Caê começou a ser construído no final Século 19 e finalizou no início do Século 20, portanto, colocado em pleno funcionamento entre 1910 e 1920, trazendo consigo parte significativa da história da cidade.

“A edificação carrega elementos que dialogam com diferentes períodos da história urbana de Manaus. Ao longo dos anos, passou por diferentes usos e transformações, e agora entra em um novo capítulo, ressignificado e pronto para viver uma nova fase como ponto de encontro boêmio e cultural”, ressalta Wilson Aires.

E por estar presente no Centro, nada melhor do que ser um local contemporâneo, descomplicado, democrático e com uma identidade forte. É um lugar para chegar sem cerimônias, comer bem, beber melhor ainda, ouvir boa música e se sentir parte do todo.

Sabores

A carta de bebidas, sem dúvidas, é um capítulo à parte. Isso porque a dupla prezou com drinques autorais e releituras bem executadas dos clássicos, sempre com insumos frescos e com identidade. Um dos diferenciais, por exemplo, será a utilização do sistema Preshh, tecnologia que permite servir a bebida sob pressão, mantendo o frescor, carbonatação e padronização.

“O Caê será o primeiro espaço em Manaus a operar com esse equipamento, reforçando nossa proposta de unir tradição e inovação na experiência do cliente. Esse processo garante mais agilidade no atendimento sem abrir mão da qualidade de um drinque bem feito”, adianta Wilson.

Além disso, a cozinha irá valorizar ingredientes brasileiros, mas sempre com um toque regional, especialmente amazônico. “Apresentaremos releituras de clássicos do boteco, mas também contaremos com receitas das nossas famílias. A ideia é que o cardápio misture novidade com conforto, surpreendendo, mas sem perder a essência”, destaca Walter.

E como se tudo isso não fosse o bastante, a dupla também pensou nos mínimos detalhes da decoração. O local é 100% inspirado na cultura brasileira, especialmente na música, na estética e no comportamento. Há referências sutis a movimentos culturais, à poesia e à atmosfera dos botecos clássicos, tudo reinterpretado de forma contemporânea.

O funcionamento será de segunda a domingo, sempre a partir das 17h, servindo tanto para um fim de tarde, quanto para uma saideira. “Além disso, aos sábados, a casa irá servir feijoada ao som de chorinho da melhor qualidade, a partir do meio-dia, propondo com isso um programa que inclua comida boa, bebida gelada e clima de encontro”, finaliza Wilson Aires.

Transmissões da Copa do Mundo

O primeiro jogo da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo 2026, acontecerá neste sábado (13/06), a partir das 18h (horário de Manaus). O espaço contará com três telas de exibição, além de atração musical nos intervalos. “Estamos preparados para receber todos aqueles que tenham vontade de torcer pelo Brasil junto com a gente. Tem área climatizada, área externa, banheiros equipados, um cardápio variado e muito mais. Reúna os amigos, traga a família, e venha curtir o Caê”, finaliza Walter.

Com informações e fotos da assessoria

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MASP APRESENTA PAVILHÃO DE SOL CALERO NO VÃO LIVRE https://latambra.com.br/2026/06/10/masp-apresenta-pavilhao-de-sol-calero-no-vao-livre/ Wed, 10 Jun 2026 20:02:00 +0000 https://latambra.com.br/?p=3762 Instalação Casa María Lionza, primeira obra da artista venezuelana apresentada no Brasil,
foi criada especialmente para o espaço sob o edifício de Lina Bo Bardi.

O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand abre ao público, em 3 de
julho, Casa María Lionza, a primeira obra da artista Sol Calero (Caracas, Venezuela, 1982)
a ser apresentada no Brasil. Criada especialmente para ocupar o Vão Livre, a instalação
convida o público a adentrar uma pequena vila colorida, onde fachadas, bancos, janelas e
portas compõem um espaço de acolhimento e encontro. A superfície arquitetônica —
murais, mosaicos e mobiliário — se torna uma tela para a pintura da artista venezuelana.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora
assistente, MASP, o pavilhão de Sol Calero também se propõe a ser um espaço dinâmico e
integrante da programação cultural do Vão Livre. A primeira vez que a construção receberá
uma atividade será no sábado, 5 de julho, quando a artista conduzirá uma oficina gratuita
para a criação de mosaicos que integrarão a fachada externa da obra.

Calero desenvolve trabalhos que combinam elementos da arquitetura vernacular com uma
visualidade vibrante, refletindo sobre temas como identidade, pertencimento e processos
de exotização da cultura latino-americana. A arquitetura de Lina Bo Bardi (1914-1992),
responsável pelo projeto do MASP, foi uma das inspirações para a instalação concebida
por Sol Calero para o Vão Livre. Elementos como a planta circular da Igreja do Espírito
Santo do Cerrado, em Uberlândia, e os recortes de janelas de formas orgânicas do Sesc
Pompeia, em São Paulo, ambos projetos de Lina, aparecem na Casa María Lionza, criando
um diálogo com a história do edifício que abriga a instalação. Também são referências as
fotografias de fachadas da artista Anna Mariani (1935-2022), que exploram a relação entre
geometria, cor e o construtivo na paisagem urbana.


A artista concebe seus pavilhões como pinturas tridimensionais, espaços acolhedores
inspirados na atmosfera de ambientes domésticos tradicionalmente geridos por mulheres.
Os títulos de suas construções muitas vezes remetem a figuras femininas emblemáticas
celebradas em canções de salsa. A construção para o Vão Livre dá continuidade a essa
tradição, já que María Lionza é uma divindade da espiritualidade venezuelana, que traz o
sincretismo entre crenças católicas, indígenas e africanas. Associada à natureza e à
criação, María Lionza inspirou também a música popular: Willie Colón e Rubén Blades
dedicaram uma canção à sua figura.


“Sol Calero reflete sobre o imaginário de latinidade, misturando elementos de diversas
culturas e associando referências estéticas. Seu trabalho não é apenas para ser visto, não é
um espaço apartado do mundo: sua obra ganha sentido como um local de encontro e
convivência”, afirma Laura Cosendey.
Sol Calero: Casa María Lionza integra a programação anual do MASP dedicada às
Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Santiago
Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo
Acciones de Arte, Damián Ortega, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich,
Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.


SOBRE A ARTISTA
Sol Calero nasceu em 1982, em Caracas, Venezuela, e vive em Berlim. Sua prática articula
pintura, instalações e projetos para espaços públicos, nos quais investiga noções de
identidade e processos de exotização cultural. Calero vem consolidando uma trajetória
internacional, com projetos em instituições e bienais na Europa e em outros continentes.
Apresentou o Pabellón Criollo, na 60a Bienal de Veneza (2024), propondo um espaço
alternativo de encontro no Giardini della Biennale. A instalação foi nomeada a partir de um
prato típico venezuelano que combina ingredientes de culturas indígenas, africanas e
europeias.
REALIZAÇÃO
Sol Calero: Casa María Lionza é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e
tem apoio da AkzoNobel.

SERVIÇO
Sol Calero: Casa María Lionza
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora
assistente, MASP
Vão Livre, Edifício Lina Bo Bardi
A partir de 3.7.2026
Diariamente das 10h às 22h
Entrada gratuita
Oficina com Sol Calero
Data: 5 de julho de 2026 (domingo), das 10h às 12h
Inscrições disponíveis em breve no site do MASP
Local: Vão Livre, Edifício Lina Bo Bardi


MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e
domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.


Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

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